Em avaliação do panorama econômico e das medidas recentes do governo, economista aponta os desafios enfrentados pelo país e pondera se medidas recentes do governo já impactam o bolso do cidadão.
Em avaliação do panorama econômico e das medidas recentes do governo, economista aponta os desafios enfrentados pelo país e pondera se medidas recentes do governo já impactam o bolso do cidadão.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no relatório Perspectiva Econômica Mundial. Com a revisão, a pressão inflacionária persistente e a manutenção da taxa Selic em patamares elevados, o ambiente de negócios e o consumo das famílias seguem sob forte estresse. Em recente análise sobre o cenário interno, o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e criador do canal Economista Sincero, avaliou os principais vetores dessa desaceleração e criticou a condução das políticas públicas recentes.
Entre os pontos de maior preocupação na avaliação de Mendlowicz está a recente revisão feita pelo FMI sobre o PIB do país, somada à fraqueza demonstrada por setores vitais da economia. "O FMI cortou as projeções de crescimento do Brasil para 2026 e 2027, de 2,2% para 1,9%”, pontuou o economista. Charles ressaltou ainda o desempenho negativo dos serviços, que registraram retração no período recente: "O setor de serviços caiu 0,1% em agosto no comparativo com o mês de julho, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços divulgados pelo IBGE. Isso nos faz pensar que mesmo com todos os recursos que o governo está colocando na economia, essas medidas não estão adiantando muito".
A perda do poder de compra e o endividamento acelerado das famílias foram apontados como fatores centrais para que os estímulos não gerem o dinamismo esperado. Segundo o Economista Sincero, as tentativas de socorro financeiro e renegociação não têm surtido o efeito necessário no bolso dos cidadãos. "Será que é porque a população perdeu quase todo o poder de compra? As pessoas estão atoladas em dívidas. Mesmo com o programa Desenrola nada se resolve, mesmo com a proibição das bets as pessoas já estavam falidas. Será que é por isso que a economia brasileira não decola? Talvez", questionou Mendlowicz.
"Pacote de bondades" do governo chega tarde para a população
Diante do quadro de inflação projetada acima da meta, com o IPCA em 5,22%, de acordo com o Relatório Focus divulgado ontem (19), e da manutenção da taxa Selic elevada para conter os preços, o governo federal apostou em um pacote extenso de benefícios e incentivos econômicos. No entanto, para Charles Mendlowicz, tais medidas possuem caráter estritamente eleitoreiro e chegam de forma tardia para a população.
"Depois do primeiro turno, o governo lançou diversas medidas: perdão da dívida e apoio financeiro de até R$ 5 mil para MEI, pé-de-meia para estudantes universitários, fim da escala 6x1 promulgada na última sexta-feira. Mas nada disso teve um pronto impacto na população até agora", afirmou o economista. Para Mendlowicz, o momento de implementação evidencia a intenção política das pautas: "Não importa se você vota no Lula ou no Flávio Bolsonaro, mas temos que concordar que o atual governo passou quatro anos aumentando impostos. E agora, faltando poucos dias para a eleição, anunciou uma série de medidas para beneficiar a população. Está óbvio que isso é uma jogada eleitoral”.
Charles Mendlowicz conclui que, enquanto as taxas de juros e a inflação continuarem a pressionar a renda familiar, medidas paliativas de distribuição de renda e perdão de débitos terão pouca eficácia para reverter o descontentamento popular e sustentar um crescimento econômico consistente de longo prazo no Brasil.
Sobre o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é economista formado pela UERJ, com MBA em Gestão Estratégica (UFF) e MBA em Logística (FGV), com 30 anos de experiência no mercado financeiro e no varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller "18 princípios para você evoluir" e da recém-lançada obra “As 18 leis do dinheiro”. Reconhecido pela abordagem direta e transparente, consagrou-se como uma referência no mercado: foi eleito quatro vezes o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA e apontado como uma das 30 principais vozes de Finanças e Economia do país pelo Estudo Pulso 2026/2027 da FSB Holding.