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  • Por Publish Ideas | Grayce Rodrigues
  • 31/10/2026

Como ficam os investimentos após a vitória de Lula?

Com circuit breaker na B3, salto no dólar e disparada dos contratos futuros de juros, economista Charles Mendlowicz analisa a reação do mercado e os desafios para a economia real.

A confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou uma reação imediata e conturbada nas telas do mercado financeiro. Em uma jornada marcada por forte aversão ao risco, a B3 registrou uma queda drástica no início das negociações na última segunda-feira (26) acionando o circuit breaker, enquanto a taxa de câmbio acelerou e as curvas de juros futuros dispararam no Tesouro Direto.

 

A leitura dos investidores reflete o temor quanto à trajetória fiscal do país, a sustentabilidade da dívida pública e a capacidade do governo de equilibrar promessas sociais com responsabilidade orçamentária. Para detalhar essa dinâmica, o economista formado pela UERJ, sócio da Ticker Wealth e criador do canal Economista Sincero, Charles Mendlowicz, destrinchou o cenário e apontou os caminhos para o investidor atravessar a volatilidade.

 

O choque nas urnas e a reação da bolsa

 

Antes da votação do segundo turno, as mesas de operação vinham precificando uma vantagem do candidato de oposição, impulsionadas por apostas e expectativas que não se confirmaram na apuração final. Charles Mendlowicz destaca a mudança repentina de tom no mercado: "O mercado ficou oscilando em quem ganharia, mas na reta final a maioria apostou como se o Flávio já tivesse ganho porque o mercado havia precificado esse resultado antes. Ninguém contava com a virada".

 

Segundo o economista, o alinhamento das expectativas do mercado acabou gerando um ajuste abrupto quando o resultado oficial foi conhecido. "Com 13,88% de queda no primeiro dia útil pós-eleições, a bolsa acionou o circuit breaker. A aversão ao risco impactou setores inteiros da B3, pressionando fortemente papéis ligados ao consumo interno e varejo”, explica Mendlowicz.

 

A reação se estendeu rapidamente para os mercados cambial e de renda fixa. O dólar disparou com a busca acelerada por proteção em moeda forte. "O dólar chegou a subir 12,52%, indo para R$ 5,60. Ele disparou", ressalta o sócio da Ticker Wealth. Charles avalia que o movimento também refletiu o receio sobre o rumo das contas públicas. "O que acontece é que a percepção de um risco fiscal maior afetou o mercado de crédito, os juros futuros subiram mais de 260 pontos-base. O Tesouro Nacional teve até que cancelar os leilões tradicionais de venda de títulos públicos", complementa.

 

O Economista Sincero faz um alerta contundente sobre as operações de alto risco que tentaram adivinhar o resultado das urnas: "Investidores que se alavancaram, alocando recursos em opções, derivativos e operações alavancadas esperando a vitória do Flávio Bolsonaro, provavelmente estão enfrentando sérias dificuldades. Não faça isso. Falo com a experiência de mais de 30 anos no mercado financeiro. Nunca aposte todas as suas ‘fichas’ em uma única alternativa”, orienta Charles Mendlowicz.

 

Desafios na economia real e alocação de carteira

 

Os impactos da reviravolta no mercado financeiro transbordam para o dia a dia do consumidor e das empresas. Com a escalada das taxas de juros futuras e o câmbio pressionado, o crédito se torna significativamente mais encorpado e encarece o custo de capital para o setor produtivo.

 

Mendlowicz observa com preocupação o cenário para a economia real nos próximos quatro anos. "O governo terá um grande desafio fiscal. O juro elevado desafia o varejo, desafia as compras. É algo péssimo e que a população sente no bolso”, pondera.

 

O economista afirma que o descompasso entre as promessas de campanha e o rigor orçamentário cria uma encruzilhada de difícil resolução para a gestão pública. "O cenário fiscal é muito ruim. O governo terá que lidar com medidas que foram prometidas durante a campanha de reeleição e terá que prestar contas de tudo que prometeu. Do outro lado, o varejo está em uma fase delicada e a economia enfrenta turbulências com o alto endividamento da população”, destaca Charles Mendlowicz.

 

Apesar do crítico quadro macroeconômico, o Economista Sincero orienta que o investidor não deve agir movido por sentimentos ideológicos, mas sim avaliar as distorções pontuais criadas pelo pânico que dominou o mercado. "É preciso ter calma. A bolsa caiu, os preços das ações despencaram, o dólar subiu, mas tudo isso faz parte da dinâmica do mercado”, esclarece.

 

Para Mendlowicz, momentos de forte estresse no mercado financeiro exigem cautela e reavaliação de riscos para encontrar oportunidades que foram excessivamente penalizadas. "Empresas com bons fundamentos acabaram caindo de modo desproporcional após as eleições, por exemplo. O investidor deve estar atento a movimentos como esse para identificar oportunidades. É hora de refazer algumas contas, reorganizar o peso de ação, renda fixa e dólar na carteira. Com esse cenário, é preciso se organizar melhor”, afirma o economista.

 

Charles conclui reforçando a necessidade de manter uma estratégia diversificada e resiliente entre ativos locais e exposição cambial: “Há uma sensação de frustração com relação à economia, mas o investidor não pode deixar que eventos políticos causem inércia na gestão do seu patrimônio. Independentemente do cenário, sempre existirão oportunidades no mercado, tanto no Brasil quanto no exterior".

 

Sobre o Economista Sincero

 

Charles Mendlowicz é economista formado pela UERJ, com MBA em Gestão Estratégica (UFF) e MBA em Logística (FGV), com 30 anos de experiência no mercado financeiro e no varejo.  É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller "18 princípios para você evoluir" e da recém-lançada obra “As 18 leis do dinheiro”.

 

Reconhecido pela abordagem direta e transparente, consagrou-se como uma referência no mercado: foi eleito quatro vezes o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA e apontado como uma das 30 principais vozes de Finanças e Economia do país pelo Estudo Pulso 2026/2027 da FSB Holding.

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