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  • Por AIS Comunicação e Estratégia
  • 29/05/2026

Demência ainda chega tarde ao radar do cuidado dos idosos no Brasil

Estudo com participação de pesquisadores da Unifesp aponta que 4 em cada 5 idosos brasileiros com critérios para demência não tinham diagnóstico prévio

Demência ainda chega tarde ao radar do cuidado dos idosos no Brasil
Divulgação UNIFESP

A demência ainda permanece sem reconhecimento clínico formal em grande parte dos idosos brasileiros, mesmo entre aqueles que já apresentam critérios compatíveis com a condição. É o que aponta um estudo com participação de pesquisadores da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) - Campus São Paulo.

A pesquisa analisou dados de 5.249 brasileiros com 60 anos ou mais, participantes do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil). Entre eles, 392 preenchiam critérios compatíveis com demência. No entanto, 83,1% relataram não ter diagnóstico médico prévio.

Na prática, o dado indica que 4 em cada 5 idosos brasileiros com critérios para demência não haviam recebido reconhecimento clínico anterior. O resultado evidencia uma lacuna importante na identificação da condição entre a população idosa no país.

O estudo também mostra que o subdiagnóstico não atinge todos os grupos da mesma forma. A ausência de diagnóstico foi mais frequente em contextos de maior vulnerabilidade social. Nas regiões mais pobres, o percentual de subdiagnóstico chegou a 90,2%, enquanto nas regiões mais ricas foi de 76%. Entre pessoas analfabetas, o índice alcançou 93,9%.

Outro achado relevante é que idosos que viviam sozinhos apresentaram maior chance de permanecer sem diagnóstico prévio. Segundo os autores, os resultados apontam para desigualdades sociais e regionais no reconhecimento da demência no Brasil.

Para Andrew Miguel, psiquiatra e mestrando do Departamento de Psiquiatria da EPM/Unifesp e primeiro autor do estudo, os dados reforçam a necessidade de ampliar a atenção ao diagnóstico da condição entre idosos brasileiros.

“O estudo mostra que uma parcela expressiva dos idosos com critérios compatíveis com demência não tinha diagnóstico médico prévio. Esse dado evidencia uma lacuna importante no reconhecimento da condição e reforça a necessidade de iniciativas voltadas tanto para o diagnóstico como para o cuidado que sejam mais sensíveis às desigualdades sociais e regionais do país”, afirma.

A demência é uma condição associada ao comprometimento cognitivo e funcional, podendo afetar a autonomia e a capacidade de realizar atividades cotidianas. Por isso, o diagnóstico formal tem papel importante para orientar o acompanhamento clínico, o planejamento do cuidado e o suporte à pessoa com demência e seus familiares.

Os achados reforçam que o desafio da demência no Brasil não envolve apenas identificar a condição, mas também compreender quem tem mais dificuldade de chegar ao diagnóstico. Pessoas com menor escolaridade, moradores de regiões mais pobres e idosos que vivem sozinhos aparecem no estudo como grupos mais vulneráveis ao subdiagnóstico.

Segundo Cleusa Ferri, professora orientadora e coautora deste estudo, os resultados indicam a necessidade de fortalecer estratégias que garantam o diagnóstico em tempo oportuno com a capacitação de profissionais de saúde e abordagens adaptadas às diferentes realidades sociais e regionais brasileiras.

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  • Saúde e Bem-Estar
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