Distúrbio de deglutição pode ocorrer em qualquer idade, mas atinge até 33% dos idosos.
Distúrbio de deglutição pode ocorrer em qualquer idade, mas atinge até 33% dos idosos.

A dificuldade de engolir alimentos ou líquidos, conhecida como disfagia, é um distúrbio mais comum do que se imagina e pode trazer consequências importantes para a saúde. Embora seja frequentemente associada ao envelhecimento, a disfagia pode ocorrer em qualquer fase da vida, desde crianças até idosos, dependendo da condição clínica envolvida. Ainda assim, estudos indicam que a prevalência é maior na população idosa, podendo variar entre 10% e 33% das pessoas nessa faixa etária. Dados da publicação do American Family Physician.
A disfagia ocorre quando há alteração no processo de deglutição, um mecanismo complexo que envolve músculos e nervos responsáveis pela condução do alimento da boca ao estômago. Quando esse processo falha, o alimento pode seguir as vias respiratórias, aumentando o risco de complicações como pneumonia por aspiração, desnutrição e desidratação, além de comprometer a qualidade de vida do paciente.
A disfagia pode surgir em diferentes contextos clínicos, como após AVC, em doenças neurodegenerativas, câncer de cabeça e pescoço, alterações congênitas, prematuridade ou mesmo como consequência do envelhecimento. Por isso, os profissionais de saúde reforçam a importância da avaliação multidisciplinar e da atenção aos primeiros sinais, especialmente em idosos, pacientes hospitalizados e pessoas com doenças neurológicas.
Estudos científicos mostram que a disfagia é relativamente frequente na população idosa. A condição pode afetar aproximadamente um em cada três idosos que vivem na comunidade e mais da metade daqueles que residem em instituições de longa permanência, segundo a publicação no Journal of Clinical Medicine.
No Brasil, o problema também está relacionado a episódios de envolvimento ambientalmente fatais. De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de duas mil pessoas morreram em 2023 após episódios de engasgo, sendo que a maioria das vítimas tinha mais de 65 anos.
Para a fonoaudióloga Dra. Camila Molento (CRFa3 – 8304), conselheira do CREFONO3 (Conselho Regional de Fonoaudiologia do Paraná e Santa Catarina), a identificação precoce do problema é fundamental para evitar complicações.
"A disfagia é um distúrbio que pode passar despercebido no início, mas que traz riscos importantes. Tosse frequente ao comer, sensação de alimento parado na garganta ou engasgos recorrentes são sinais de alerta que devem ser avaliados por um profissional", explica.
O acompanhamento fonoaudiológico tem papel central tanto na avaliação quanto na reabilitação da deglutição.
"A fonoaudiologia atua desde o diagnóstico até a reabilitação funcional, com exercícios específicos e orientações sobre consistência dos alimentos, postura e estratégias seguras para a alimentação. O objetivo é preservar a segurança ao engolir e a qualidade de vida do paciente", afirma.
Segundo a especialista, pacientes com câncer de cabeça e pescoço recebem atenção especial, já que cirurgias, radioterapia e quimioterapia podem comprometer estruturas importantes para a deglutição. “Nesses casos, a atuação precoce da fonoaudiologia é fundamental para prevenir e reabilitar alterações da deglutição, permitindo que o paciente mantenha a alimentação de forma mais segura durante e após o tratamento”, destaca Camila Molento.
Os especialistas alertam que o diagnóstico e o tratamento precoce aumentam significativamente o risco de complicações e adicionais para uma alimentação mais segura, mantendo a nutrição adequada e a autonomia do paciente.
Sinais de alerta para disfagia
Alguns sintomas podem indicar dificuldade para engolir e devem ser avaliados por um profissional de saúde:
Tosse ou engasgo frequente durante as refeições;
Sensação de alimento parado na garganta;
Necessidade de beber líquidos para ajudar a engolir;
Mudança de voz após comer ou beber;
Perda de peso sem causa aparente;
Pneumonias de repetição;
Demorar demais para terminar as refeições.
Na presença desses sinais, a avaliação por um fonoaudiólogo é fundamental para diagnóstico e orientação adequada.
SOBRE O CREFONO3
O Conselho Regional de Fonoaudiologia - 3ª Região (CREFONO 3), atuante no Paraná e em Santa Catarina, constitui, em conjunto com o Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa), uma autarquia federal. É responsável por zelar pelo cumprimento das leis, normas e atos que norteiam o exercício da fonoaudiologia, a fim de proteger a integridade moral da profissão, dos profissionais e dos usuários diretos.
Ao zelar pelo exercício regular da profissão, o CREFONO3 protege o fonoaudiólogo daqueles que exercem inadequadamente ou ilegalmente a profissão, além de proporcionar melhores condições para que a população tenha um atendimento adequado ao consultar o profissional.