Agritechs do SUPERA Parque aplicam análise de dados avançada para otimizar safras, reduzir o uso de insumos e acelerar tomadas de decisão no campo
Agritechs do SUPERA Parque aplicam análise de dados avançada para otimizar safras, reduzir o uso de insumos e acelerar tomadas de decisão no campo

O avanço da inteligência artificial no agronegócio tem redefinido os padrões de produtividade, rastreabilidade e sustentabilidade no campo brasileiro. No centro dessa transformação digital, soluções que utilizam automação e análise preditiva de dados saem dos laboratórios e passam a resolver gargalos operacionais complexos em lavouras, na silvicultura e em diversas cadeias produtivas do setor agropecuário.
Entre as empresas que operam nessa fronteira tecnológica estão startups ligadas ao SUPERA Parque de Inovação e Tecnologia. A Hope Grains, startup focada na classificação de grãos, castanhas e sementes por meio de visão computacional e inteligência artificial, é uma delas. Gustavo Trindade, cofundador da empresa ao lado de Carlos Baltieri, explica que a classificação manual convencional leva de 15 a 40 minutos por amostra e fica sujeita ao cansaço e à subjetividade humana. Já o equipamento desenvolvido pela startup reduz esse tempo para menos de 5 minutos, gerando um histórico detalhado e padronizado. "O produtor, ao receber nosso relatório, pode verificar a classificação grão a grão entendendo a qualidade do seu produto. Isso permite que ele entenda melhor o valor do seu produto, podendo visualizar com facilidade as características que são avaliadas, além de permitir melhorias na produção", pontua Gustavo.
No segmento de monitoramento e geoprocessamento, a IDGeo aplica imagens de satélite e inteligência territorial para a identificação precoce de pragas, plantas daninhas e falhas no plantio. Hiago Biagi, líder de Inteligência da startup, detalha que o algoritmo faz o cruzamento das imagens com dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e declividade do terreno para delimitar anomalias na propriedade sem exigir que o produtor faça sobrevoos totais na área. Essa identificação gera economia direta ao agricultor: "Como ela vai indicar para o produtor onde tem uma falha ou está começando uma infestação, a gente consegue indicar para o produtor e ele vai fazer uma aplicação in loco, numa aplicação mais assertiva".
A automação aérea e a silvicultura são atendidas pelas soluções da NEXUAV, especializada no desenvolvimento de drones autônomos integrados a sistemas inteligentes. Luiz Miguel Costa, desenvolvedor da empresa, destaca o Projeto Forest, focado na distribuição precisa de iscas para o controle de formigas-cortadeiras em plantações de eucalipto. A tecnologia, que utiliza o drone NX6 Raven, cobre cerca de 40 hectares em 19 minutos, com capacidade de até 126 hectares por hora, aplicando insumos de forma localizada e com registro automático das rotas. "As soluções aéreas inteligentes permitem aplicar o insumo apenas nos locais e nas quantidades necessárias. Essa precisão reduz o desperdício de iscas e produtos químicos, evita aplicações excessivas e diminui a possibilidade de contaminação do solo, da água e de organismos que não são o alvo do tratamento", analisa Luiz Miguel.
O amadurecimento dessas soluções encontra respaldo direto no ambiente de inovação onde foram desenvolvidas. Para os empreendedores, o suporte oferecido pelo SUPERA Parque foi determinante para validar as tecnologias e aproximá-las do mercado. Gustavo Trindade lembra que o ambiente de incubação uniu os sócios da Hope Grains e auxiliou na gestão do negócio. Do mesmo modo, Hiago Biagi ressalta que o ecossistema do parque conecta a equipe diretamente aos produtores para o treinamento constante dos algoritmos, enquanto Luiz Miguel Costa afirma que essa interação levou o sistema da NEXUAV ao nível de maturidade tecnológica avançada em ambiente operacional.
Estar situado em Ribeirão Preto confere ao SUPERA Parque uma inserção geográfica e estratégica privilegiada dentro do ecossistema agroindustrial do país, especialmente pela proximidade com a Agrishow, a maior feira do setor na América Latina. O Dr. Lauro Wichert Ana, Diretor Técnico do SUPERA Parque, destaca que essa localização fortalece o papel da instituição na atração e consolidação de novos negócios. "A Agrishow projeta, mundialmente, a vocação que a região exerce ao longo de todo o ano, reunindo produção agrícola, indústria de máquinas, bioenergia, universidades, centros de pesquisa, cooperativas e empresas de tecnologia", afirma.
Nesse cenário, o parque funciona como uma plataforma avançada para aproximação entre demandas reais do produtor e pesquisas aplicadas. "Nosso objetivo é reduzir a distância entre pesquisa, protótipo e aplicação. Uma boa solução não deve permanecer apenas no laboratório: ela precisa ser validada, transformada em produto e efetivamente adotada pelo campo", avalia o Dr. Lauro. Segundo o diretor, o avanço da inteligência artificial torna o agronegócio mais preditivo e orientado por dados. "O grande desafio brasileiro agora é transformar a enorme quantidade de dados gerados no campo em soluções acessíveis, confiáveis e adaptadas às diferentes realidades produtivas. E nesse desafio, o SUPERA Parque pode ajudar", conclui.
Sobre o SUPERA Parque
O SUPERA Parque, fruto de um convênio entre a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e a Universidade de São Paulo, possui ao todo 94 empresas instaladas, sendo 59 delas na SUPERA Incubadora de Empresas de Base Tecnológica e 35 empreendimentos distribuídos entre centros empresariais e loteamento. O Parque Tecnológico está em expansão com a urbanização de novos lotes para instalação de empresas e a construção do Health to Business Center, prédio fruto de parceria com a FINEP e que contará com laboratórios compartilhados, espaços corporativos e auditório. Outras informações sobre o Parque Tecnológico estão disponíveis no site: http://superaparque.com.br/.