Salto recente da bolsa e trégua na taxa de juros acendem o entusiasmo de analistas e investidores; Economista Sincero alerta para os riscos fiscais e a volatilidade que ainda rondam o cenário político e econômico brasileiro.
Salto recente da bolsa e trégua na taxa de juros acendem o entusiasmo de analistas e investidores; Economista Sincero alerta para os riscos fiscais e a volatilidade que ainda rondam o cenário político e econômico brasileiro.

Impulsionado por uma reviravolta nas expectativas políticas após o primeiro turno e por projeções otimistas de grandes instituições, o Ibovespa disparou, rompeu marcas históricas e renovou máximas – como na última sexta-feira (09), pela manhã, quando atingiu 209.713,45 pontos. No mercado, o tom mudou radicalmente: há quem projete a principal referência da bolsa brasileira alcançando a marca inédita dos 250 mil pontos.
A mudança de humor dos investidores reflete diretamente o resultado das urnas e a nova correlação de forças em Brasília. Há cerca de um mês, o cenário era de aversão ao risco, com bancos internacionais, como o JP Morgan, rebaixando a recomendação para as ações brasileiras e prevendo o dólar próximo de R$ 5,50 em um cenário de deterioração da percepção sobre as contas públicas.
O mercado vinha precificando a liderança do atual governo nas pesquisas eleitorais, o que, para Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e criador do canal Economista Sincero, representava um risco contínuo para a economia. "Para o mercado, a continuação do Lula significava juros altos, calotes, inflação e aumento de impostos", avalia o economista.
O quadro foi revertido com a contagem dos votos do primeiro turno, que consolidou um Senado com perfil pró-reforma e colocou a oposição na liderança da corrida presidencial. Essa nova configuração reduziu as incertezas institucionais e provocou uma reação imediata no pré-mercado em Nova York, puxando o Ibovespa para cima da marca de 200 mil pontos. "O que aconteceu foi que a contagem dos votos trouxe um cenário de menos incerteza", explica Mendlowicz. O choque de otimismo também derrubou a moeda norte-americana para abaixo de R$ 5, levando instituições financeiras renomadas, como o Goldman Sachs, a projetarem o câmbio a R$ 4,50.
Perspectiva de ajustes fiscais acendem o entusiasmo do mercado
Mendlowicz acredita que o principal motor dessa escalada do mercado acionário é a projeção de queda na taxa básica de juros. Com a possibilidade de avanço de uma agenda de privatizações e ajustes fiscais, a curva de juros tende a ceder, diminuindo o apelo da renda fixa.
Segundo o economista, essa dinâmica é o pilar que sustenta o rali da bolsa. "A maior força por trás desse movimento é a expectativa de queda dos juros, o que pode aliviar os custos para as empresas e estimular a economia. Com a renda fixa pagando menos ou podendo pagar menos, grandes volumes de capital acabam migrando em massa para ações e fundos imobiliários", pontua.
Nesse ambiente de transição econômica, Mendlowicz explica que setores específicos começam a despontar no radar das grandes tesourarias, com destaque para o segmento financeiro e de infraestrutura. Mesmo em um cenário predominantemente positivo, o Economista Sincero orienta que os investidores devem ter cautela. “Parte da alta recente já está refletida nos preços dos ativos, e o mercado passa agora a exigir sinais práticos de responsabilidade fiscal”, pondera.
O alerta de Charles Mendlowicz foca na prudência na hora de alocar recursos diante da euforia generalizada. "A pauta econômica precisa avançar. Promessas de campanha precisam virar medidas concretas. Não pode virar uma bagunça", conclui o economista, reforçando que o momento exige diversificação da carteira, análise cuidadosa dos fundamentos das empresas e paciência para não ceder aos solavancos do noticiário.
Sobre o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é economista formado pela UERJ, com MBA em Gestão Estratégica (UFF) e MBA em Logística (FGV), com 30 anos de experiência no mercado financeiro e no varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller "18 princípios para você evoluir" e da recém-lançada obra “As 18 leis do dinheiro”. Reconhecido pela abordagem direta e transparente, consagrou-se como uma referência no mercado: foi eleito quatro vezes o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA e apontado como uma das 30 principais vozes de Finanças e Economia do país pelo Estudo Pulso 2026/2027 da FSB Holding.