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  • Por AIS Comunicação e Estratégia
  • 03/06/2026

Os testes genéticos vendidos em farmácias são confiáveis?

Startup do SUPERA Parque diferencia exames com base em finalidade, evidência científica e interpretação profissional

Os testes genéticos vendidos em farmácias são confiáveis?
Divulgação SUPERA PARQUE

Os testes genéticos são exames que analisam informações presentes no DNA para identificar variantes associadas a características biológicas, predisposições, riscos hereditários, respostas a medicamentos ou condições de saúde. Na prática, podem ter diferentes finalidades, como investigar doenças genéticas, apoiar escolhas terapêuticas, avaliar riscos familiares ou oferecer informações relacionadas à nutrição, atividade física e bem-estar.

Com a popularização desses exames, o tema ganhou espaço no debate público e na imprensa, especialmente diante da oferta de testes vendidos diretamente ao consumidor com promessas de indicar dieta ideal, treino personalizado, tendências metabólicas ou risco para diferentes doenças. 

O avanço do acesso à informação genética, porém, também trouxe uma questão central. Em meio à popularização desses exames, a dúvida não está apenas em saber se testes genéticos são confiáveis, mas em compreender como finalidade, nível de evidência e interpretação profissional influenciam a utilidade dos resultados. 

Dr. Daniel Dentillo, sócio-fundador e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da DGLab, empresa instalada no SUPERA Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto, e que atua com testes genéticos e relatórios voltados a profissionais de saúde, avalia que o debate precisa ser tratado com mais precisão. Segundo ele, o principal problema está em colocar sob o mesmo rótulo exames com propósitos, fundamentos e aplicações muito diferentes. 

“O tema ainda aparece de forma parcial. Falta incorporar, com equilíbrio, diferentes perspectivas. O ponto mais evidente é a tendência de tratar todos os testes genéticos como se fossem equivalentes em finalidade, fundamento e aplicabilidade.”

De acordo com Daniel, a generalização pode dificultar a compreensão do público, porque reúne em uma mesma categoria exames genéticos recreativos, testes de baixa utilidade prática e abordagens que podem apoiar decisões clínicas de forma mais estruturada. 

A diferença entre os tipos de exame também influencia a forma como os resultados devem ser interpretados. Um ponto relevante a ser considerado é que a predisposição genética não significa determinação. Essa distinção é especialmente importante nos testes voltados à nutrição, atividade física e bem-estar, áreas em que o debate costuma oscilar entre extremos. Variantes podem indicar tendências estatísticas ou diferenças de suscetibilidade, mas não desfechos inevitáveis. 

“Sozinho, um teste genético não define a dieta ideal nem o treino ideal de uma pessoa. Tratar o resultado dessa forma seria transformar uma peça de informação como se fosse critério único de decisão. Em saúde, recomendações individualizadas dependem da combinação entre fatores biológicos, clínicos e comportamentais, sempre com interpretação de um profissional capacitado para avaliar o contexto de cada paciente”, destaca Daniel. 

 

Como saber, então, se um teste genético é confiável? 

A confiabilidade de um teste genético não está apenas na quantidade de genes analisados ou na tecnologia utilizada. Ela depende, sobretudo, da escolha das variantes que serão avaliadas, da pergunta que o exame pretende responder e da existência de estudos científicos que sustentem a relação entre essas variantes e determinado desfecho em saúde. 

Após a análise, a forma como o resultado é apresentado também interfere na qualidade do teste. Um laudo genético não deve transformar probabilidades em certezas, nem traduzir predisposições como recomendações automáticas. O processo se torna eficiente quando os achados são organizados de maneira interpretativa, possibilitando integração com histórico clínico, hábitos de vida e objetivos individuais. 

Para o especialista em genética Daniel Dentillo, o avanço desse mercado exige um debate mais qualificado, capaz de ampliar a compreensão pública sobre as diferenças entre promessa comercial, hipótese científica e aplicação responsável em contextos específicos. 

Nesse cenário, a informação é decisiva para evitar tanto a confiança excessiva em resultados apresentados como respostas prontas ou promissoras quanto o descarte genérico de ferramentas que podem contribuir para reais decisões na saúde. Mais do que responder se testes genéticos são confiáveis ou não, a discussão precisa considerar qual teste está sendo avaliado, para qual finalidade e qual nível de evidência existente.

Com atuação em genética aplicada à nutrição, ao exercício físico, ao bem-estar e a especialidades médicas, a DGLab desenvolve testes e laudos interpretativos para apoiar profissionais de saúde na leitura adequada dos resultados genéticos. A proposta é que essas informações sejam utilizadas como complemento à avaliação do paciente, considerando histórico clínico, hábitos de vida, exames laboratoriais e objetivos individuais. 

Sobre o SUPERA Parque

O SUPERA Parque, fruto de um convênio entre a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e a Universidade de São Paulo, possui ao todo 94 empresas instaladas, sendo 59 delas na SUPERA Incubadora de Empresas de Base Tecnológica e 35 empreendimentos distribuídos entre centros empresariais e loteamento. O Parque Tecnológico está em expansão com a urbanização de novos lotes para instalação de empresas e a construção do Health to Business Center, prédio fruto de parceria com a FINEP e que contará com laboratórios, espaços corporativos e auditório. Outras informações sobre o Parque Tecnológico estão disponíveis no site: http://superaparque.com.br/.

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Etiquetas:
  • Nacional
  • Saúde e Bem-Estar
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