Descoberta no Arquipélago de Alcatrazes destaca a importância das reservas marinhas para a conservação da espécie, equilíbrio do ecossistema e recuperação de recursos pesqueiros
Descoberta no Arquipélago de Alcatrazes destaca a importância das reservas marinhas para a conservação da espécie, equilíbrio do ecossistema e recuperação de recursos pesqueiros

Um estudo realizado pelo Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar/Unifesp) - Campus Baixada Santista fez uma nova descoberta sobre a espécie de tubarão-mangona (Carcharias taurus). A pesquisa, realizada no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, uma das maiores reservas marinhas do sudeste brasileiro, revelou a atividade reprodutiva desta espécie dentro da área protegida, o que até então não era documentado.
Embora a espécie já seja classificada como criticamente ameaçada de extinção devido à pesca incidental e à degradação de seus habitats, a pesquisa forneceu dados inéditos sobre como o Arquipélago de Alcatrazes é um local fundamental para a alimentação e reprodução do tubarão-mangona.
Durante o estudo, os pesquisadores conseguiram registrar fêmeas grávidas e algumas com marcas de acasalamento, indicando que a área é utilizada pela espécie em fases críticas do seu ciclo reprodutivo. A pesquisa foi realizada utilizando estéreo-filmagens remotas subaquáticas com isca (da sigla em inglês BRUV), uma tecnologia que permite observar o comportamento dos tubarões sem interferir diretamente no ambiente. Através dessa metodologia, os pesquisadores registraram a presença dos tubarões-mangona durante diferentes estações do ano.
“Este estudo é um marco para a compreensão da ecologia do tubarão-mangona e sua relação com as áreas marinhas protegidas", afirma a bióloga Ana Clara Athayde, primeira autora do trabalho e egressa do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Ecologia Marinha e Costeira (PPGBEMC) do IMar/Unifesp. "A descoberta da atividade reprodutiva no interior do Refúgio de Alcatrazes revela não apenas o papel fundamental dessa área, mas também destaca a relevância de se estudar e proteger esses ecossistemas. A importância dessa descoberta vai além de documentar a presença de fêmeas grávidas e marcas de acasalamento. Ela coloca em evidência que as reservas marinhas desempenham um papel crucial na conservação de espécies ameaçadas de extinção, funcionando como locais seguros, longe das ameaças que a espécie enfrenta.
A Unifesp contou também com a participação ativa de mergulhadores recreativos locais, utilizando ciência cidadã para documentar o comportamento dos tubarões-mangona no Arquipélago de Alcatrazes. O envolvimento foi crucial para enriquecer a pesquisa, fortalecendo a colaboração entre cientistas e cidadãos e ampliando a eficácia das estratégias de conservação marinha.
“A descoberta destaca o papel das áreas marinhas protegidas para a restauração das populações de predadores fundamentais à saúde dos oceanos e a sustentabilidade de recursos pesqueiros essenciais para a segurança alimentar e geração de emprego e renda de comunidades costeiras”, reforça o professor e pesquisador do IMar/Unifesp Fabio Motta.
A pesquisa contou com o apoio da Petrobras e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no âmbito do projeto Mar de Alcatrazes e do programa Biota, respectivamente.