Evento reuniu representantes dos dois países e reforçou o papel do cooperativismo na expansão para mercados internacionais
Evento reuniu representantes dos dois países e reforçou o papel do cooperativismo na expansão para mercados internacionais

A AgroBrasília foi palco, nesta quinta-feira (21), de um importante debate sobre internacionalização e oportunidades para o cooperativismo, com a realização do Seminário Internacional Brasil–Portugal: Integração de Negócios Agroalimentares e Acesso ao Mercado Europeu. Promovido pelo Sistema OCB/DF, em parceria com a Cooperativa do Povo Portuense (CPP), o evento reuniu autoridades e representantes de instituições brasileiras e portuguesas para discutir temas como internacionalização, exportações, acordos comerciais e políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor com foco na expansão nos mercados internacionais.
Durante o seminário, o presidente do Sistema OCB/DF, Remy Gorga Neto, destacou o avanço do cooperativismo brasileiro, especialmente no setor agro, e o papel das instituições no fortalecimento das cooperativas. Segundo ele, o trabalho desenvolvido tem sido fundamental para ampliar a presença das cooperativas no mercado. “O cooperativismo brasileiro, em especial o agro, tem apresentado um crescimento consistente, fruto de um trabalho estruturado de desenvolvimento das cooperativas. Esse apoio tem sido essencial, principalmente no processo de inserção em novos mercados”, afirmou.
Em agenda estratégica no Brasil voltada ao setor agroalimentar, o secretário de Estado da Agricultura de Portugal, João Moura, destacou a importância de fortalecer parcerias internacionais em um cenário de reconfiguração das relações comerciais globais. “As nações precisam rever seu posicionamento e priorizar as trocas comerciais com países de confiança. E, para Portugal, o Brasil é um país de confiança. Queremos, sem dúvida, potencializar e ampliar cada vez mais as trocas comerciais entre os nossos países”, reforçou João Moura.
Já o secretário de Agricultura do Distrito Federal, Rafael Bueno, destacou o cooperativismo como ferramenta estratégica na busca por novos mercados para os produtos do DF. “Com grande expectativa que nós estivemos aqui participando deste seminário de integração, por essa ferramenta fantástica que é o cooperativismo. Nosso trabalho enquanto governo foi de fortalecer essas cooperativas e colocá-las dentro de um processo de comercialização que vá além das fronteiras, permitindo que o produtor se fortaleça, ganhe novos mercados e se capitalize, especialmente o agricultor familiar”, afirmou.
Painéis temáticos
A programação do seminário incluiu ainda a palestra sobre Internacionalização: oportunidades de exportação e projetos de investimento nacionais e internacionais em Portugal, conduzida pelo diretor da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Paulo César Rios de Oliveira, que apresentou um panorama sobre o potencial de geração de negócios e investimentos entre os dois países. “A nossa relação com o Brasil é muito antiga, é muito forte, é de amizade e de parceria. Temos de transformar isso em negócio, negócio para os dois. Somos países irmãos, mas é preciso transformar essa confiança em negócios e em vantagem recíproca, com responsabilidade”, enfatizou.
Paulo César também ressaltou a importância de enxergar a relação entre os países sob uma perspectiva de integração econômica. “O oceano Atlântico que nos divide não é o que nos separa, é o que nos une. Nós temos que começar por aí”, completou.
No painel Cooperação institucional e políticas públicas de apoio à internacionalização, autoridades e especialistas debateram estratégias para ampliar a inserção das cooperativas brasileiras no mercado internacional. O coordenador-geral de Investimentos e Cooperação da SCRI/MAPA, Carlos Vitor Müller, destacou os eixos de atuação do Ministério da Agricultura no apoio ao setor exportador. “O trabalho do MAPA se apoia em três pilares: a promoção de práticas agrícolas sustentáveis, a garantia de segurança alimentar e sanitária por meio da defesa agropecuária e a atuação na área de comércio e negociações internacionais, em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, para abertura de mercados e promoção do agronegócio”, completou.
Para o presidente da Cooperativa Agrícola da Região de Planaltina-DF (Cootaquara), Maurício Rezende, a participação no seminário representou uma oportunidade de aprendizado e de ampliação de contatos para o setor. Ele explicou que a cooperativa atua na comercialização de hortaliças e frutas no Distrito Federal e reúne cerca de 160 cooperados, com produção diversificada que inclui mais de 40 itens, tendo o pimentão e o tomate como principais produtos. Rezende avaliou que a exportação ainda é uma realidade distante para a cooperativa, principalmente pela falta de volume de produtos. “A gente vê que é um mercado futuro. É a porta de entrada para a Europa, mas para a nossa realidade ainda vai demorar um pouco. É mais a busca de experiência, contatos e o início de um trabalho. Os grandes exportadores começaram dessa forma”, disse o produtor.