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  • Por AIs Comunicação e Estratégia
  • 04/02/2026

Ultra-processados: sem base para classificá-los como saudáveis

Estudo liderado por pesquisador da Unifesp mostra que foco em versões reformuladas de alimentos ultra-processados desvia políticas e prejudica comunicação em saúde

Ultra-processados: sem base para classificá-los como saudáveis
Divulgação UNIFESP

Um estudo publicado no British Medical Journal (BMJ) por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) questiona a classificação de alimentos ultra-processados como opções “saudáveis”, e afirma que não há base científica consistente para sustentar essa narrativa. A análise mostra que o foco em versões reformuladas ou fortificadas fragmenta a comunicação em saúde pública e desvia a atenção do objetivo central apontado pelas evidências científicas: reduzir o consumo geral de alimentos ultra-processados e preservar padrões alimentares baseados em alimentos frescos e minimamente processados.

De acordo com o artigo assinado por Leandro Rezende, professor e coordenador do CRÔNICAS (Núcleo de Pesquisa em Epidemiologia de Doenças Crônicas) e do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, ambos da Unifesp, em coautoria com pesquisadores da área de nutrição e epidemiologia, corporações transnacionais de alimentos vêm ampliando seus portfólios de ultra-processados apresentados como “melhores para você”, “fortificados” ou “funcionais”. Esses produtos são promovidos sob narrativas de segurança alimentar, inovação e sustentabilidade, permitindo que a indústria se apresente como parte da solução para deficiências nutricionais e doenças relacionadas à alimentação, ao mesmo tempo em que enfraquece medidas como rotulagem frontal, restrições de marketing e políticas fiscais.

O estudo destaca que essa abordagem é sustentada por modelos científicos centrados em nutrientes ou em alimentos isolados, em detrimento da análise dos padrões alimentares como um todo. “Focar em alimentos ultraprocessados considerados ‘saudáveis’ representa um retrocesso científico e político, pois fragmenta uma mensagem simples e baseada em evidências: evitar a substituição de dietas tradicionais baseadas em alimentos frescos e minimamente processados e preparações culinárias por alimentos ultra-processados”, argumentam os autores.

Os pesquisadores também apontam limitações metodológicas em estudos que analisam subgrupos específicos de alimentos ultra-processados. Segundo o artigo, comparações inadequadas, fatores de confusão com outros padrões alimentares, baixo poder estatístico, testes múltiplos e erros de classificação da exposição comprometem a interpretação dos resultados e podem gerar conclusões contraditórias. Essas fragilidades dificultam a distinção entre os efeitos do ultraprocessamento e diferenças no tipo de alimento ou na composição nutricional.

Para os autores, o debate sobre saúde pública não deve se concentrar em identificar quais ultra-processados seriam “menos prejudiciais”, mas em avaliar o impacto do aumento do consumo desses produtos como um padrão alimentar. “Assim como a Dieta Mediterrânea  é avaliada como um conjunto, o padrão alimentar ultra-processamento deve ser analisado como um todo, e não por subgrupos isolados que normalizam sua presença e atrasam intervenções eficazes”, defendem.

O artigo conclui que rotular determinados alimentos ultraprocessados como saudáveis legítima narrativas da indústria, confunde consumidores e desvia o foco do objetivo central das políticas de saúde pública: reduzir o consumo geral desses produtos e proteger os fundamentos culturais e nutricionais das dietas baseadas em alimentos frescos e minimamente processados.

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Etiquetas:
  • Nacional
  • Saúde e Bem-Estar
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